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O que é a síndrome do impostor e como ela aparece no trabalho

Foto do escritor: Simone Pinheiro
Simone Pinheiro
14 de out.
5 min de leitura

Atualizado: 14 de out.


O que é a síndrome do impostor? É a sensação de ser uma fraude, mesmo com provas de que você é competente. Quem vive isso costuma atribuir as próprias conquistas à sorte ou à ajuda dos outros, e tem medo de ser “desmascarada” a qualquer momento (Nascimento da Silva e colaboradores, Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 2023).

Sou Simone Pinheiro, psicóloga, e atendo mulheres em terapia individual online, inclusive com questões de carreira. Neste texto, explico de onde vem esse sentimento, como ele aparece no trabalho e quando vale procurar ajuda.

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O que é a síndrome do impostor, segundo a psicologia


O conceito foi descrito em 1978 por Pauline Clance e Suzanne Imes, que observaram, em terapia, mulheres bem-sucedidas que se sentiam incompetentes e fraudulentas apesar das evidências do contrário. Na pesquisa, o nome mais usado é fenômeno do impostor. “Síndrome” é o termo popular.

Segundo o estudo brasileiro de Nascimento da Silva e colaboradores (2023), três ideias marcam essa experiência:

  • Sentir-se uma fraude, apesar das conquistas.

  • Atribuir o sucesso a fatores externos, como sorte, contatos ou a ajuda de alguém.

  • Ter medo de ser descoberta como alguém que não merece estar onde está.

Vale um cuidado: síndrome do impostor não é um diagnóstico oficial. É um padrão de pensamento e de emoção que pode ser leve ou causar muito sofrimento.


Como a síndrome do impostor aparece no trabalho

Mulher em silêncio durante uma reunião de trabalho, insegura

A revisão sistemática de Bravata e colaboradores, publicada no Journal of General Internal Medicine (2020), reuniu 62 estudos com 14.161 participantes. O fenômeno apareceu associado a pior desempenho no trabalho, menor satisfação profissional e burnout.

No dia a dia, ele costuma aparecer em situações como estas:

  • Receber uma promoção e pensar “foi sorte” ou “não perceberam que eu não sei tanto”.

  • Ficar em silêncio em reuniões por medo de falar algo errado.

  • Preparar-se em excesso para qualquer tarefa, ou adiar até o último minuto.

  • Não pedir aumento nem se candidatar a vagas por achar que não está pronta.

  • Desconsiderar elogios e lembrar só dos erros.

  • Comparar-se o tempo todo com colegas e sempre sair perdendo.

Você se reconheceu em algum desses exemplos?


Quem sente síndrome do impostor?


Na revisão de 2020, a frequência variou de 9% a 82% conforme o instrumento e o ponto de corte usados. Os autores encontraram o fenômeno tanto em homens quanto em mulheres, de adolescentes a profissionais em fim de carreira.

No Brasil, o estudo com 204 universitários do Piauí não encontrou o sexo como preditor significativo. Os traços que mais pesaram foram a idade e duas características de personalidade: o neuroticismo, ligado à tendência a sentir insegurança e ansiedade, e a conscienciosidade, ligada à disciplina e à organização, que pareceu proteger.

Ou seja: entender o que é a síndrome do impostor inclui saber que, apesar de o conceito ter nascido da observação de mulheres, qualquer pessoa pode viver esse sentimento. E ele não tem a ver com falta de capacidade.


O ciclo do impostor


O estudo brasileiro de 2023 descreve um ciclo que mantém o problema: os sucessos são atribuídos a fatores externos, enquanto os fracassos são vistos como prova de incompetência. Assim, nenhuma conquista convence, e qualquer erro confirma o medo.

Os autores também apontam a ligação com o perfeccionismo. Quando a régua é a perfeição, quase tudo parece insuficiente. E a sensação de estar sempre “quase sendo descoberta” cansa.

Esse ciclo costuma conversar com a forma como você se vê. Se isso faz sentido, conheça também a terapia para autoestima.


Quando a síndrome do impostor vira sofrimento


Segundo a revisão de Bravata e colaboradores (2020), o fenômeno do impostor aparece com frequência junto de depressão e ansiedade. O estudo brasileiro de 2023 cita ainda estresse, burnout e queda da autoestima entre as consequências possíveis.

Alguns sinais de que vale procurar ajuda:

  • A autocobrança atrapalha o sono, o descanso ou a vida pessoal.

  • Você deixa de aproveitar oportunidades por medo de não dar conta.

  • O cansaço com o trabalho não passa nem nas férias.

  • A preocupação com o desempenho é constante.


Quando o esgotamento já está presente, conheça a página sobre psicóloga para burnout. Se a preocupação constante é o que mais pesa, conheça a terapia para ansiedade.


Como a terapia ajuda


A revisão de 2020 observou que ainda há poucos estudos sobre tratamentos específicos para o fenômeno do impostor. Na prática clínica, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem com que eu trabalho, olha para os pensamentos que sustentam o ciclo, como “eu não sou capaz” e “foi só sorte”.

Na terapia, olhamos juntas para as evidências reais da sua trajetória, para a régua que você usa para se avaliar e para o medo de errar. Aos poucos, você aprende a reconhecer as próprias conquistas sem descartá-las. Atendo online, para todo o Brasil e para brasileiras que vivem no exterior, sempre em português.


Perguntas frequentes


Síndrome do impostor é doença?


Não. Apesar do nome popular, não é um diagnóstico oficial. Na pesquisa, o termo mais usado é fenômeno do impostor. Ele descreve uma experiência comum, que pode causar sofrimento e aparece com frequência junto de ansiedade, depressão e burnout, segundo a revisão de Bravata e colaboradores (2020).


A síndrome do impostor é mais comum em mulheres?


O conceito nasceu da observação de mulheres bem-sucedidas, em 1978. Mas pesquisas posteriores mostram um quadro mais complexo: a revisão de 2020 encontrou o fenômeno em homens e mulheres de várias idades, e no estudo brasileiro com 204 universitários do Piauí o sexo não foi um preditor significativo.


A síndrome do impostor passa sozinha?


Para algumas pessoas, o sentimento diminui com o tempo e com novas experiências. Para outras, ele se repete a cada desafio. Quando a autocobrança e o medo de ser descoberta atrapalham o trabalho, o sono ou a vida pessoal, conversar com uma psicóloga ajuda a entender o padrão e lidar com ele.


Entender o que é a síndrome do impostor muda a conversa interna


Saber o que é a síndrome do impostor ajuda a perceber que o problema não é a sua competência, e sim a forma como você a avalia. Para recapitular:

  • É a sensação de ser uma fraude, apesar das provas de competência.

  • No trabalho, aparece como medo de ser descoberta, autocobrança e dificuldade de aceitar elogios.

  • Afeta homens e mulheres, e não indica falta de capacidade.

  • O ciclo se mantém quando os sucessos viram sorte e os erros viram prova.

Se esse sentimento está pesando na sua carreira, você não precisa lidar com isso sozinha.

Quer conversar sobre a sua carreira? Fale comigo no WhatsApp e marque a sua primeira sessão.


Simone de Abreu Pinheiro — Psicóloga · CRP 05/60758Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · Atendimento online para todo o Brasil e para brasileiras no exterior

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