top of page

Envelhecimento saudável: o lado emocional que também conta

Foto do escritor: Simone Pinheiro
Simone Pinheiro
22 de out.
4 min de leitura

Quando se fala em envelhecimento saudável, a conversa costuma ir direto para exames, alimentação e exercício. Tudo isso importa, mas a própria Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da OMS nas Américas, inclui a saúde mental na definição: é um processo contínuo para manter e melhorar a saúde física e mental, com independência e qualidade de vida (OPAS).

Sou Simone Pinheiro, psicóloga, e fiz a Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso na UERJ. Neste texto, falo do lado emocional de envelhecer, para quem está vivendo essa fase e para a família que acompanha.

Quer cuidar das emoções nesta fase da vida, a sua ou a de alguém da família?

Conheça a minha terapia para idosos, online e em português.


O que é envelhecimento saudável

Na visão da OMS, envelhecer bem não significa envelhecer sem doenças. O foco é a habilidade funcional: conseguir fazer aquilo que tem valor para você, com as capacidades físicas e mentais que tem e com um ambiente que ajude.

Na prática, isso quer dizer que duas pessoas da mesma idade, com o mesmo diagnóstico, podem viver essa fase de jeitos muito diferentes. Faz diferença ter com quem contar, manter atividades que dão sentido, ser ouvido nas decisões e cuidar das emoções.

Foi pensando nisso que a ONU declarou a Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030). Uma das quatro áreas de ação é mudar a forma como as pessoas pensam, sentem e agem em relação à idade (OPAS).


Por que as emoções fazem parte da saúde na velhice


Senhora pensativa olhando álbum de fotos da família

Envelhecer traz ganhos, como experiência e mais clareza sobre o que importa. Também traz mudanças que mexem com as emoções:

  • a aposentadoria e a mudança de rotina e de papel social;

  • perdas de pessoas queridas;

  • o diagnóstico de uma doença ou a perda de alguma autonomia;

  • a saída dos filhos de casa ou a ida deles para longe;

  • o medo de depender dos outros.

Essas mudanças nem sempre são faladas. Quando ficam guardadas, podem virar desânimo, irritação, ansiedade ou afastamento. No Brasil, o estudo ELSI-Brasil encontrou a solidão frequente fortemente associada à depressão entre pessoas com 50 anos ou mais. Por isso o tema da solidão na velhice merece atenção junto com os outros cuidados com a saúde.


Pilares emocionais do envelhecimento saudável


Não existe receita única, mas alguns pontos costumam sustentar o bem-estar emocional nessa fase:

  • Vínculos: amizades, família, vizinhos e grupos. Mais do que a quantidade, conta a qualidade das relações.

  • Propósito: ter algo que dê sentido aos dias, como cuidar de alguém, aprender, ensinar ou participar da comunidade.

  • Autonomia: decidir sobre a própria vida, inclusive quando precisa de ajuda em algumas tarefas.

  • Rotina com prazer: manter atividades de que gosta, mesmo que adaptadas.

  • Espaço para falar das perdas: o luto, as despedidas e os medos também fazem parte.

Qual desses pilares está mais firme na sua vida, e qual anda pedindo cuidado?


Como a família pode apoiar


Para quem acompanha um pai, uma mãe ou uma avó, envelhecer bem também passa pela forma como a família se relaciona com essa pessoa:

  • incluir a pessoa idosa nas decisões que dizem respeito a ela;

  • evitar falar por ela, mesmo quando é mais rápido;

  • valorizar o que ela ainda faz, em vez de só apontar o que não consegue;

  • manter contato regular, inclusive por vídeo, quando a família mora longe ou fora do Brasil;

  • perceber mudanças de humor, sono ou interesse e conversar sobre elas.

Cuidar também cansa. Se você é a pessoa que mais acompanha, olhe para o seu próprio limite: um cuidador esgotado tem menos condições de oferecer presença.


Quando procurar uma psicóloga


Vale procurar ajuda quando a tristeza, a ansiedade ou o desânimo duram semanas, quando a pessoa deixa de fazer o que gostava, depois de uma perda importante ou quando uma mudança, como a aposentadoria ou um diagnóstico, parece difícil de atravessar.

Na terapia, trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Olhamos juntas para o que a pessoa sente, para os pensamentos que pesam, como “já não sirvo para nada”, e para a rotina e os vínculos possíveis, no ritmo dela. Atendo online, para todo o Brasil e para brasileiros que vivem no exterior, sempre em português, e a sessão pode ser feita de casa.

Se em algum momento você ou a pessoa que você cuida pensar em se machucar, procure ajuda imediata: o CVV atende gratuitamente, 24 horas, pelo telefone 188, e o SAMU pelo 192.


Perguntas frequentes


O que é envelhecimento saudável, segundo a OMS?


A Organização Pan-Americana da Saúde, braço da OMS nas Américas, descreve o envelhecimento saudável como um processo contínuo de otimização da habilidade funcional e de oportunidades para manter e melhorar a saúde física e mental, promovendo independência e qualidade de vida ao longo da vida. Envelhecer bem não exige ausência de doenças.


É possível ter um envelhecimento saudável com uma doença crônica?


Sim. Muitas pessoas convivem com pressão alta, diabetes ou outras condições e seguem fazendo o que é importante para elas. Essa ideia olha para a capacidade de viver com autonomia e sentido, e não para a ausência total de doenças. O acompanhamento médico continua essencial.


Terapia ajuda no envelhecimento?


Pode ajudar, principalmente em momentos de mudança, como aposentadoria, viuvez, perdas ou o início de uma doença. Na terapia, a pessoa encontra espaço para falar do que sente, rever pensamentos que pesam e reorganizar a rotina e os vínculos no seu ritmo. A sessão pode ser online, feita de casa.

Envelhecimento saudável inclui cuidar das emoções


Um envelhecimento saudável não depende só de exames em dia. Para recapitular:

  • Para a OMS, envelhecer bem é manter a capacidade de fazer o que tem valor, não viver sem doenças.

  • Aposentadoria, perdas e mudanças de saúde mexem com as emoções e merecem espaço.

  • Vínculos, propósito, autonomia e prazer na rotina sustentam o bem-estar.

  • A família ajuda quando inclui, escuta e mantém contato; quando pesa, a terapia é um apoio.

Cuidar das emoções é cuidar da saúde, em qualquer idade.

Quer conversar sobre esta fase, a sua ou a de alguém da família? Fale comigo no WhatsApp e marque a primeira sessão.

Simone de Abreu Pinheiro — Psicóloga · CRP 05/60758Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso (UERJ/HUPE) · Atendimento online para todo o Brasil e para brasileiros no exterior

Comentários


bottom of page