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O que é dependência emocional: sinais, causas e como a terapia ajuda

Foto do escritor: Simone Pinheiro
Simone Pinheiro
12 de out.
6 min de leitura

Atualizado: 13 de out.

O que é dependência emocional? É um padrão de relação em que a pessoa passa a precisar do outro para manter o próprio equilíbrio emocional. Essa é a definição a que chegou uma revisão sistemática brasileira que analisou 20 estudos publicados entre 2000 e 2014 (Bution e Wechsler, Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 2016).

Sou Simone Pinheiro, psicóloga, e atendo mulheres em terapia individual online. Neste texto, explico como reconhecer os sinais, de onde esse padrão costuma vir e o que a terapia pode oferecer a quem se identifica com ele.

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O que é dependência emocional, segundo a psicologia

Em 2016, a revisão de Bution e Wechsler descreveu a dependência emocional como um padrão de comportamentos aditivos nas relações amorosas. Quem vive isso sente que precisa do outro para ficar bem. A ausência da pessoa pesa muito mais do que uma saudade comum.

Não se trata de um tema raro. Nos estudos reunidos pela revisão, as estimativas variam de 5% a 24,5% das pessoas avaliadas, conforme o grupo pesquisado.

Um modelo citado na revisão, proposto por Bornstein e Cecero, organiza a dependência em quatro partes:

  • Motivacional: a necessidade constante de apoio, orientação e aprovação.

  • Afetiva: a ansiedade que aparece quando é preciso agir sozinha.

  • Comportamental: a tendência a buscar a ajuda dos outros e a se submeter nas relações.

  • Cognitiva: a percepção de si mesma como incapaz ou sem força.

Vale um cuidado. Os próprios pesquisadores ainda debatem se a dependência emocional deve ser considerada uma patologia, que nome dar a ela e quais sintomas a definiriam. Por isso, este texto ajuda a refletir, mas não serve como diagnóstico.


Quais são os sinais de dependência emocional?


Os estudos reunidos na revisão brasileira de 2016 descrevem sinais que se repetem: submissão ao outro, medo da solidão, vazio emocional e a sensação de estar presa à relação, sem conseguir deixá-la. Alguns exemplos de como isso aparece no dia a dia:

  • Você deixa de tomar decisões e passa a seguir o que o outro quer.

  • A ausência da pessoa provoca uma inquietação parecida com abstinência.

  • O medo de ficar sozinha pesa mais do que a insatisfação com a relação.

  • Existe um vazio que só parece diminuir perto do outro.

  • As necessidades do outro vêm sempre antes das suas, e você se esquece de si.

  • Você assume a culpa por tudo o que dá errado e tenta dar conta dos problemas do parceiro.

  • O ciúme e a possessividade aparecem com frequência.

  • Você sente que não vai conseguir sair da relação, mesmo quando ela faz mal.

Você se reconheceu em vários desses itens? Identificar um ou outro não significa viver uma dependência emocional. O que pede atenção é a frequência e o quanto isso ocupa a sua vida. Saber o que é dependência emocional serve para ganhar clareza, não para se rotular.

A revisão também aponta que muitas pessoas não percebem o próprio problema. Isso faz sentido: quando o padrão se repete por anos, ele passa a parecer apenas “o meu jeito de amar”.


De onde vem a dependência emocional?

Mulher pensativa refletindo sobre a origem da dependência emocional
O jeito de amar também se aprende, e pode ser olhado de novo

Segundo a revisão de Bution e Wechsler (2016), a origem da dependência emocional está ligada principalmente ao modo como o apego se forma na infância, somado a fatores culturais e biológicos. Não existe uma causa única, e sim uma combinação de experiências.

Três dos estudos analisados compararam estilos de apego. Pessoas com dependência emocional mostraram mais apego preocupado ou ambivalente, isto é, mais insegurança sobre o afeto do outro. Já quem não tinha esse padrão apresentou, em sua maioria, apego seguro.

A cultura também pesa. A revisão lembra que filmes, músicas e novelas costumam retratar a obsessão pelo outro como prova de amor. Quando crescemos ouvindo que amar é “não conseguir viver sem a pessoa”, fica difícil perceber o momento em que o vínculo deixou de fazer bem.

Nada disso é defeito de caráter. São aprendizados, e aprendizados podem ser olhados de novo, com cuidado. Muitas vezes esse padrão anda junto com a forma como você se vê. Por isso, conheça também a terapia para autoestima.


Dependência emocional é amor demais?


Não. Quem pergunta o que é dependência emocional muitas vezes quer saber se está amando “demais”. A diferença não está na intensidade do sentimento, e sim no espaço que sobra para você. Em uma relação saudável, cada pessoa continua tendo amigos, vontades e decisões próprias. Na dependência emocional, a vida passa a girar em torno do outro.

Algumas perguntas ajudam a perceber essa diferença. Você consegue dizer “não” sem medo de ser deixada? Um dia sem notícias é só um dia, ou vira uma angústia que toma tudo? As suas escolhas ainda são suas?

Amar envolve precisar do outro, e isso é humano. O ponto de atenção aparece quando o bem-estar depende quase inteiramente da presença, da aprovação ou do humor de quem está ao lado.


Quando a dependência emocional pede mais atenção


A revisão brasileira de 2016 encontrou a dependência emocional associada a outros sofrimentos, como transtornos ansiosos e alimentares, e citada como um dos fatores de risco para a violência nas relações. Nos estudos analisados, mulheres emocionalmente dependentes apareceram com mais frequência no lugar de vítimas.

Um dos motivos descritos é o medo de ficar sozinha, que torna o término muito mais difícil. Por isso, a dependência emocional merece cuidado, sem pânico e sem culpa.

A ansiedade costuma caminhar junto: a preocupação constante com a relação, o medo de perder o outro, a dificuldade de desligar a cabeça. Se isso faz parte da sua rotina, conheça a terapia para ansiedade.


Se você vive agressões, ameaças ou controle no relacionamento, procure ajuda. O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia. Em emergência, ligue 190.


Como a terapia ajuda na dependência emocional?

Mulher em sessão de terapia online com psicóloga

Na revisão de 2016, a psicoterapia individual foi a forma de cuidado indicada por todos os autores analisados, embora eles divirjam sobre a abordagem. Grupos de apoio e terapia em grupo também foram citados como complementos.

Eu trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Ela parte de uma ideia simples: o que você pensa sobre uma situação influencia o que sente e como reage. Alguns estudos citados na revisão encontraram, em pessoas com dependência emocional, crenças centrais de dependência e pensamentos rígidos de controle e de “eu deveria”.

Na prática, olhamos juntas para pensamentos como “sem ele eu não sou nada” ou “se eu disser não, vou ficar sozinha”. Aos poucos, você entende o que é dependência emocional na sua própria história, aprende a reconhecer esses padrões, a comunicar o que precisa e a colocar limites com menos culpa.

Não é preciso terminar a relação para começar. Também não é preciso que o parceiro participe. A terapia é individual, o foco é você, e as decisões continuam sendo suas.

Atendo online, para todo o Brasil e para brasileiras que vivem no exterior, sempre em português. Saiba mais sobre a terapia para relacionamento.


Perguntas frequentes


Dependência emocional é doença?


Ainda não há consenso. A revisão brasileira de Bution e Wechsler (2016) mostra que os pesquisadores discutem se ela deve ser tratada como patologia, qual nome usar e quais sintomas a definiriam. Por isso, o mais seguro é não se autodiagnosticar: uma avaliação com psicóloga ajuda a entender o que está acontecendo com você.


Preciso terminar o relacionamento para fazer terapia?


Não. A terapia individual não exige nenhuma decisão prévia sobre a relação, e o parceiro não precisa participar. O foco é você: como se sente, o que deseja e o que está ao seu alcance mudar. As decisões continuam sendo suas, tomadas com mais clareza e no seu tempo.


Quanto tempo dura a terapia para dependência emocional?


Não existe um número fixo de sessões. A duração depende da sua história, dos seus objetivos e do ritmo de cada processo. Na revisão de 2016, a psicoterapia individual foi a indicação comum a todos os autores analisados, e combinamos juntas, ao longo do caminho, como seguir.


A terapia online funciona para dependência emocional?


A sessão online segue os mesmos princípios da presencial, com sigilo. Tenho cadastro ativo no e-Psi, exigido pelo Conselho Federal de Psicologia para o atendimento online. Atendo mulheres de todo o Brasil e brasileiras que vivem no exterior, sempre em português.


Entender o que é dependência emocional é o primeiro passo


Quando você entende o que é dependência emocional, fica mais fácil olhar para as próprias relações sem julgamento. Para recapitular:

  • É um padrão em que o equilíbrio emocional passa a depender do outro.

  • Os sinais mais comuns são submissão, medo da solidão, vazio e a sensação de estar presa à relação.

  • A origem está ligada ao apego construído na infância e a mensagens culturais sobre o amor.

  • A psicoterapia individual é o caminho de cuidado mais indicado pelos estudos.

Se você se reconheceu neste texto, não precisa atravessar isso sozinha.


Quer conversar sobre o que está vivendo? Fale comigo no WhatsApp e marque a sua primeira sessão.


Simone de Abreu Pinheiro — Psicóloga · CRP 05/60758Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · Atendimento online para todo o Brasil e para brasileiras no exterior

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