Quais os 3 pilares da síndrome de burnout: entenda cada um
Quais os 3 pilares da síndrome de burnout? Segundo a Organização Mundial da Saúde, são a exaustão, o distanciamento mental do trabalho e a redução da eficácia profissional (OPAS/OMS, 2019). Esse modelo de três dimensões também aparece no Inventário de Burnout de Maslach, o instrumento mais conhecido para avaliar o burnout.
Sou Simone Pinheiro, psicóloga, e atendo mulheres em terapia individual online, inclusive com questões de esgotamento no trabalho. Neste texto, explico cada pilar e como ele aparece no dia a dia. Para uma visão geral do tema, leia o texto sobre síndrome de burnout.
Você se reconhece no esgotamento descrito aqui?
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Quais os 3 pilares da síndrome de burnout, segundo a pesquisa
No Brasil, Carlotto e Câmara analisaram o Inventário de Burnout de Maslach com 563 professores de instituições particulares da região de Porto Alegre e encontraram os mesmos três fatores do modelo original: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional (Psicologia em Estudo, 2004).
Os nomes mudam um pouco conforme a fonte, mas a ideia é a mesma:
Pilar 1: exaustão emocional, ou esgotamento de energia.
Pilar 2: despersonalização, também descrita como distanciamento, negativismo ou cinismo em relação ao trabalho.
Pilar 3: baixa realização profissional, ou redução da eficácia.
Pilar 1: exaustão emocional

A exaustão é o pilar mais conhecido. A OMS descreve sentimentos de esgotamento ou de falta de energia. No estudo brasileiro de 2004, esse fator apareceu com consistência e chegou a funcionar de forma independente dos outros.
No dia a dia, ela costuma aparecer assim:
Acordar já cansada, mesmo depois de dormir.
Sentir que não sobra energia para nada fora do trabalho.
Ficar sem paciência para conversas e tarefas simples.
Perceber que o descanso do fim de semana não recupera.
Pilar 2: distanciamento do trabalho
O segundo pilar é o afastamento emocional do que você faz. A OMS fala em aumento do distanciamento mental, negativismo ou cinismo em relação ao trabalho. No inventário de Maslach, esse pilar aparece com o nome de despersonalização.
Ele costuma surgir como uma forma de proteção contra o desgaste:
Tratar colegas, clientes ou pacientes de forma mais fria e automática.
Sentir indiferença por tarefas que antes importavam.
Ironizar ou desacreditar de tudo o que vem da empresa.
Contar as horas para ir embora, todos os dias.
Você percebe que se desligou emocionalmente do que antes gostava de fazer?
Pilar 3: queda da realização profissional
O terceiro pilar é a sensação de render menos e de não ser capaz. A OMS chama de redução da eficácia profissional; o inventário de Maslach, de baixa realização profissional. No estudo brasileiro, esse fator também se mostrou consistente e independente.
Na prática, ele aparece como:
Achar que nada do que você faz tem valor.
Duvidar da própria competência, mesmo com experiência.
Demorar mais para terminar tarefas que antes eram simples.
Perder o sentido do próprio trabalho.
Esse pilar costuma se misturar com a sensação de ser uma fraude. Se isso faz sentido para você, leia sobre o que é a síndrome do impostor.
Os pilares aparecem juntos?
Nem sempre. No estudo de Carlotto e Câmara (2004), exaustão emocional e realização profissional chegaram a funcionar de forma independente. Uma pessoa pode estar muito exausta e ainda se sentir competente, ou se sentir pouco realizada sem estar tão cansada.
Também existem outros modelos. Um questionário espanhol validado com 714 professores brasileiros avalia quatro aspectos: ilusão pelo trabalho, desgaste psíquico, indolência e culpa (Gil-Monte, Carlotto e Câmara, Revista de Saúde Pública, 2010). Nesse modelo, a culpa aparece como uma das dimensões avaliadas, ao lado do desgaste.
Por isso, identificar o burnout exige uma avaliação profissional, e não só a soma de sintomas.
Como a terapia ajuda
Na terapia, olhamos para cada um desses pilares na sua rotina. Eu trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): identificamos o que alimenta a exaustão, os pensamentos que sustentam a autocobrança e os limites possíveis no trabalho e na vida pessoal, no seu ritmo.
Atendo online, para todo o Brasil e para brasileiras que vivem no exterior, sempre em português.
Perguntas frequentes
Preciso ter os 3 pilares para ter burnout?
As três dimensões descrevem o quadro completo, mas elas não aparecem sempre ao mesmo tempo nem com a mesma força. No estudo de Carlotto e Câmara (2004), com 563 professores, exaustão emocional e realização profissional chegaram a funcionar de forma independente. Por isso, a avaliação precisa ser feita por um profissional.
Os 3 pilares são a mesma coisa que as fases do burnout?
Não. Os pilares são as dimensões que caracterizam o burnout: exaustão, distanciamento do trabalho e queda da eficácia ou realização profissional. Já a ideia de fases tenta descrever como o esgotamento evolui com o tempo, e os modelos de fases variam bastante entre autores.
Todos os instrumentos usam esses 3 pilares?
Não. O modelo de três dimensões é o mais conhecido, mas há outros. Um questionário espanhol validado no Brasil com 714 professores, por exemplo, avalia quatro aspectos: ilusão pelo trabalho, desgaste psíquico, indolência e culpa (Gil-Monte, Carlotto e Câmara, 2010).
Entender quais os 3 pilares da síndrome de burnout ajuda a se cuidar
Saber quais os 3 pilares da síndrome de burnout ajuda a nomear o que você sente e a perceber quando é hora de pedir ajuda. Para recapitular:
Exaustão emocional: cansaço que não passa com descanso.
Distanciamento: frieza, indiferença ou cinismo em relação ao trabalho.
Queda da realização: sensação de render menos e de não ser capaz.
Os pilares nem sempre aparecem juntos, e a avaliação precisa ser profissional.
Se o trabalho está esgotando você, não precisa lidar com isso sozinha.
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Simone de Abreu Pinheiro — Psicóloga · CRP 05/60758Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · Atendimento online para todo o Brasil e para brasileiras no exterior




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